iBOM | Entenda a Operação Lava Jato e os crimes que ela já revelou



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Bom Despacho (MG), 23 de novembro de 2017

Entenda a Operação Lava Jato e os crimes que ela já revelou

Publicado em 19/03/2016 14:14:34

FERNANDO BRANCO - Todos os dias somos entupidos de reportagens sobre a denominada operação “Lava Jato”, mas muitos ainda não sabem como esta operação teve início e como se desenvolveu, até que o “japonesinho” começasse a bater às portas de grandes empresários e políticos brasileiros.

No ano de 2014, o Ministério Público Federal (MPF) e a Polícia Federal (PF), em Curitiba, já investigavam uma grande uma rede de postos de combustíveis e lava-jato de automóveis, que movimentava recursos ilícitos pertencentes a uma das organizações criminosas lideradas por doleiros (sistema bancário informal e clandestino, operadores do mercado paralelo de câmbio, muito procurados por quem quer lavar dinheiro sujo). Foi daí que surgiu o termo “Lava Jato”, onde o principal investigado era o doleiro Alberto Youssef.

Na época, o MPF constatou que o dinheiro lavado advinha de um imenso esquema de corrupção dentro da Petrobras, que já funcionava há uma década. Descobriu-se que grandes empreiteiras (OAS, Odebrecht, Mendes Júnior, Camargo Corrêa, Galvão Engenharia, Engevix, Sanko-Sider, Toyo Setal), organizadas em cartel, pagavam a altos executivos da estatal e a agentes públicos e políticos propina entre 1 a 5% para que pudessem celebrar contratos superfaturados com a Petrobras.  

Através do esquema, altos executivos dessas empreiteiras faziam das licitações da Petrobras um jogo de cartas marcadas, programavam quais empreiteiras participariam das licitações, quem ganharia e quanto seria o preço. Para que o esquema funcionasse, corromperam servidores da Petrobras e políticos do alto escalão da república, responsáveis por indicar e manter os diretores da Petrobras que iriam colaborar para efetivação das contratações (comprovou-se que os executivos Paulo Roberto Costa, Renato Duque e Nestor Cerveró eram os diretores da Petrobrás envolvidos diretamente no esquema de contratações das empreiteiras)

Com as contratações fraudulentas das empreiteiras, a consumação da corrupção e distribuição dos lucros efetiva-se através dos operadores financeiros, que recebiam o dinheiro sujo, encontravam formas de lavá-lo e entregá-lo aos agentes públicos e políticos envolvidos (comprovou-se que Fernando Baiano operou em favor de políticos do PMDB, João Vacari Neto operou em favor de políticos do PT e Alberto Youssef operou em favor de políticos do PP e do PMDB)

Em 2015, com o comprovado envolvimento de deputados federais e senadores da República, a investigação chegou a Brasília (a chamada verticalização), quando o procurador-geral da República apresentou ao Supremo Tribunal Federal petições para a abertura de inquéritos criminais contra 55 novos investigados. Dentre eles havia 49 políticos, titulares do chamado “foro privilegiado”, que foram identificados a partir de delação premiada dos primeiros investigados da operação. Até o momento, foram condenados mais de 60 réus, dentre eles políticos, empresários e doleiros. A partir da instrução das ações penais em curso e das novas delações, será possível identificar muitos outros envolvidos e, quem sabe, mandar essa cambada toda para a cadeia.

Embora a operação “Lava Jato” ainda esteja longe do seu fim, já podemos considerá-la a maior investigação de corrupção e lavagem de dinheiro que o Brasil já viu (o mundo, talvez). Segundo o MPF, o volume de recursos desviados da Petrobras, por esses cleptocratas, está na casa de bilhões de reais. Assim, quaisquer que sejam as penas aplicadas, estas não serão capazes de tapar o buraco cavado dentro da Petrobras.

Fernando Branco é servidor público estadual em Bom Despacho.



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